09 outubro, 2009

Elenco Fantasma

Já não sei mais quantos são
Eles me invadem
Incorporam aos montes
Ação !
Me fazem de boneca de pano
hora brincam, hora rasgam-me
Sobem do penhasco ou me atiram de vez
Toco na maciez das nuvens ou em pântanos de amargura
escrevo, dirijo, atuo, deslizo, queixo, me orgulho,desisto,
Pego a boneca, dou-lhe companhia
sonho com bosques e lá vem eles outra vez

Conheci a Capitu com seu poder inquestionável
a menina chorona que só
a mãe que vive o amanhã
o avô que oferece colo pra contar histórias
a vingança que calcula de forma perfeita
a criança abandonada no berço
o sábio que do silêncio faz sua morada, e da palavra sua glória
E todo um alfabeto... vesti minha'lma
A vida é cenário da morte
mas nunca ensaio.
Sequei ao sol, exalando desgosto
e bebi água de chuva, cantarolando
E onde está o equilíbrio ? Este senhor ainda não visitou-me
Agora estou aos trapos !
Nunca fui palco, fui beco de grandes, de espetáculos em desespero
Os farrapos, as porpurinas... as plumas que enroscam em espadas.
AÇÃO !

08 setembro, 2009

Melodia do Universo

Hoje tive uma grande revelação: o movimento da vida e de nossa participação nele.Nos escondemos atrás do 'a vida que sabe'; 'seja o que Deus quiser', 'Ah! o que tiver de ser será' e ocultamos o nosso poder em criar nosso destino, ocultamos a riqueza de nos ligarmos uns aos outros, como irmãos, como partes fundamentais uns dos outros. Podemos somar constantemente e dividir experiências, admirações, sorrisos, colos, sonhos...Eu que ultimamente tenho recebido a tristeza, hoje recebi a contradição em alegria.Contadição porque em instantes programei algo, que gerou um momento único. Por mais que tenha imaginado as reações, foi único. Um 'descontrole' criado por almas afins.Viva a verdade, o sentir e a coragem de arriscar.E de pensar que esta iniciativa, foi uma espécie de cadeia. Me surpreenderam e percebi que deveria passar este presente adiante. Obrigada!



Uma nota

uma tentativa

um desvairar

um desespero afinado

um sorriso alargado

uma idéia nua de superioridade

um agradecimento de verdade

um abraço terno

uma estação de esperança

uma estrofe de ferro

um olhar de criança

um suspiro de abandono

um acorde de fé

um começo de direito pé

um bailar de sonhos

um partitura de amizade

Um, dois, três, segue o compasso que arde

22 agosto, 2009

'Circo' Vicioso


Pensei, senti e então descobri que de fato, tenho e temos o direito e tempo de estarmos tristes ! Fomos criados em uma filosofia de que 'sempre há alguém pior' e há ! Mas não podemos anular nossos vazios, feridas, frustrações por isto. Escancare ! Tenha coragem de viver a tristeza ! Conheça a sombra e assim poderá levar a luz ! Apenas o que é exposto pode ser modificado !

O sofrimento é útil quando nos convoca ao progresso, caso contrário é erva daninha a sufocar sonhos, anseios e o tal reflexo das flores....

Sim, vivemos em um 'circo' vicioso: fazemos shows, acrobacias, cenas engraçadas para passarmos menos tempo conosco, com nossas dores. Quando na realidade deveria haver alegria, palhaços, esguichos de água, bexigas e até certas aberrações para nós mesmos ! Este é o verdadeiro circo, o da verdade e lealdade para conosco. O louvável circo é o talento de rodar os bamboles da vaidade, encostar nos pregos do passado, construir e angariar camas elásticas quando não mais aguentar, sobreviver as tochas de fogo ou aos cubos de gelo e sofrer com a elegancia de sapatos grandes ou maquiagens de lágrima, de ser dar este direito... e enfim, dar-se o de se libertar pouco a pouco !

O mais curioso é que as vezes os pregos são flores de uma espécie que não conhecíamos; as chamas são o calor que nos assusta; o gelo o direito do outro ser da maneira que bem entende por mais fria que seja !


Sim, ainda estou triste, dolorida, exausta........

No post anterior derrubei lágrimas e minhas espadas ! Cansei ! Mas um ser no chão... fica abaixo de qualquer um ! Propício a ser esmagado....

Vou (vamos) construir então novas armas !

A primeira é a aceitação.

21 agosto, 2009

Hemorragia de 'Sels'

Quando a dor chega a primeira reação é negá-la ! Mais cruel do que ela, é fingir que não existe um grito constante, clamando , implorando por pelo menos um fôlego de paz! Eu já não aguento mais ! Eu achei que o próprio caminho fosse a glória, mas é dor atrás de dor ! Quando penso que uma parte do mosaico vai se colorir, quebra-se! E lá vou eu juntar os cacos.
Onde achamos a saída disso ou melhor, a entrada da paz? Já não sei se ela é deste mundo ou se é mais uma ilusão catastrófica!
Parece que eu mesma me violento... abri pequenos cortes e meu próprio âmago os alarga com enxurradas de sangue , de tal modo que a cada pele rasgada, rasga-se a esperança, a certeza !




Depois que secar o que virá?
Não sei por que ainda temo a morte, ela é meu reflexo! Talvez meus olhos não estejam prontos para enxergá-lo ! Em pequenos lapsos me vejo com uma flor... e então ela some, e ficam as gotas
espirradas no espelho...

Ainda me debato ao ver poças de sangue ! E quanto mais tento limpá-las, mais se espalham e embaçam esta imagem!
Acostumamos-nos tanto a dizer e parecer e é tão inútil! Do que adianta parecermos ilesos com cortes se abrindo embaixo das roupas da sedução, finess, inteligência, bons hábitos, ou sonhos politicamente corretos ou em sombras ridículas como a maledicência ou ríspidas provocações?




Quando nos livraremos desta vestimenta falsa e desenharemos nossos destinos e êxitos com este sangue que escorre levando as vitaminas - infância, os sais minerais- maternos, os leucócitos- irmãos, as plaquetas - amigos, os eritrócitos - planos... e todas as outras ilusões e expectativas irritantemente felizes e egoístas?!
Não sei o que virá depois, estou cansada demais para imaginar! Por mais ilusório que o fosse, meu modo de vida era confortável! Agora passo frio de otimismo, fome de calmaria, stress de amargura! Quanto vale a verdade quando a força se esvai? Ou eu quem procuro força no lugar errado?

28 junho, 2009

Sopro da Eternidade




Parece que eu estou numa espécie de coma. É, é uma estranha sensação de estar sonhando, flutuando, enquanto meu corpo descansa em algum leito.
Eu posso tudo. eu posso ser tudo. Eu atravesso paredes, épocas, regras ! Eu posso qualquer coisa, mas este poder me consome de tal forma que até o horizonte me parece fútil, findável. É um poder letal.
Se as dimensões, as distâncias (até as planetárias) são frustrantemente pequenas, o que mais posso superar ? Quais limites ?
Não se trata de limites morais, mas sim de limites existenciais. Limite do imaginável. Limite da dor. Limite de voar... mas em busca do que ?
O que há depois do sucesso ? O que há depois das crenças ? O que há depois de nos enchermos deste mundo ? De tudo o que ele guarda ? O que há depois do silêncio ? O que há depois de um sonho ?



Oh loucura que me invade !

Dá vontade de fingir ter problemas como os de todo mundo, só para ter algo em comum, só para ter certeza de que estou sã !

Esta força me tirou tudo o que eu respirava e agora Vivo em crise de asmas, até que a morte me leve, num navio florido ao mar...

É como se tentassem vislumbrar meus olhos, mas eles são de vidro, e só refletem, recusando suas ofertas ! Fico assim, apenas com a essência, dentro do meu louco âmago.

Antes eu acreditava que enlouquecer, era ter liberdade, mas estou descobrindo que nos libertamos de respostas, mas nunca de perguntas ! Todos nós precisamos de um início lógico.De um ponto de partida e da chance ilusória de questionar.
Enlouquecer não é senão apenas mais uma prisão.A prisão de saber que não existem regras ou limites, mas a prisão de que existe um destino e um propósito. Talvez, enlouquecer seja ter fé e humildade para aceitar este fato...

Há uma vontade de explorar tudo, cada cantinho, cada sabor, cada cor, cada número, cada posição, cada desgraça, cada êxito... só para ver se entendo o que é que me trouxe aqui.
Parece-me que antes era tão mais fácil. Eu criava e as estrelas dançavam realizando meus pedidos. Hoje, todos cansam, reclamam, sacrificam-se e vão sem concluírem seu desejo ardente de brilhar com E'las.

É como se guardassem um Carnaval dentro de uma velha caixinha de música, onde já vive uma bailarina.

O que afinal me alimenta ? O que alimenta meus irmãos ?
Não sei ! è como se fossemos uma rede, não uma rede seletiva, onde escolhemos os nós, mas é uma espécie de extensão, de raio.
Nunca estaremos felizes plenamente, enquanto uns sofrem, porque é uma parte minha que sangra.
tudo sou eu: quem atira, quem morre; quem rouba, quem prende; quem é cego, quem procura; quem chora, quem acalanta; quem apresenta, quem aplaude; quem luta, quem desacredita; quem esconde, quem investiga; quem teme, quem é firme; quem sofre, quem vence...
As estrelas são partes que conseguiram brilhar !

Quais os nossos compromissos ?

23 junho, 2009

Sangue Negro, Veias de Luz

Tenho pensando tanto sobre as diferentes visões sobre o que chamamos de vida !

Afinal... qual seu significado ? O que há nesta força que teima a continuar mesmo que nós já tenhamos desistido ? Qual sabedoria ou qual fúria é esta que hora nos levanta, hora nos esmaga feito insetos..... Ou seria nossa visão que hora nos encoraja e hora nos manda as profundezas escuras ?

Que vendas são estas que nos atordoam ?




De tanto teimar em ter o amor das pessoas que me rodeiam, de tanto exigir que estes me vangloriassem, de tanto desejar com todo meu fervor fazer parte do núcleo .... acabei vazia e cheia de tanto tentar e fracassar, e então percebi que deixei que as boas coisas passassem, esqueci-me dos telefonemas amigos, dos passeios engraçados, das caretas inesperadas, das roupas pixadas; das flores, dos cães que passavam de manhã, de Djavan, Lenine, Zélia Duncan...; do chocolate quente; do sonzinho da água; tudo isto sempre esteve comigo... esteve na vida, mas eu nunca havia dado atenção suficiente !


Quando enfim,digo, eninício fiquei com minha própria falta, com meu sangue que jorrava incansavelmente de minhas entranhas,percebi que tornava-me gelada, mais gelada, rude, endurecida do que aqueles que acusava de assim o ser.










Eu simplesmente era pedra, um cristal negro que refletia sua escuridão por onde passava. E então, tornei-me a vilã, a causa, o reflexo, a podridão de não ter alicerces , sonhos, ambições.





Sentia sangrar, achava que morreria, afinal sangue é vitalidade. Mas o sangue trevoso se foi e aquela dor inescrupulosamente incompreendida... não disse adeus (é, eu não tive fé)
ela continuara com força.... mas nem lágrimas mais exprimiam o que eu era, pois era o nada !
O vazio , é a mais contraditória definição, era um vazio cheio de tudo,ia até o "z"
menos de amor, Amor- próprio....


*sempre está em nossa mãos


E depois de noites em claro, calmantes orgulho à baixo, Hoje, acredito que não existam limites; possível e impossível;
Estamos vivendo na política do "não deu certo" certo é que precisamos e não o que planejamos em si ! Dizemos, "aquele emprego não deu certo;o namoro não deu certo; a faculdade não deu certo" , claro que deu ! Era o que precisava aprender ! Sim, aprender a ser humilde, alegre, determinado, cuidadoso... ou seja lá o que for !

Ainda não sei o que é a vida, mas acho que o que Ela mostra é que muitas vezes são as perguntas que nos movimentam e não as respostas. A nossa infindável caminhada já é o progresso.

Deste modo entendi finalmente quando aquele 'pobre' dizia :"...olhos de ver, ouvidos de ouvir."





A vida está aí, correndo nas veias da esperança, do amor,da aceitação, do "enloucrescer", do sorrir, do seduzir, do não saber... do querer com respeito.





Cada um tem uma história, somos a soma de experiências , por isto não existem verdades únicas, "a verdade é um espelho quebrado que reflete de um modo particular para cada expectador".


COMUNICADO

Aos que sempre marcaram sua presença através dos comentários, aos que me cumprimentam, aos que simplesmente testemunham das minhas linhas sem que eu imagine, minhas desculpas pelo tempo de reclusão, mas fora necessário. Conto com vocês para compartilhar novas idéias, princípios, projetos..... depoimentos.
Obrigada pela força

Thaís.